domingo, 3 de agosto de 2014

Reforma Política: Qual o nosso papel?

          
           O ano de 2013 foi um ano intenso, um ano que com certeza entrará para a história do país. Onde a população se mobilizou, foi para as ruas e levantou sua bandeira. Tudo começou com uma reivindicação contra o aumento da passagem em São Paulo, encabeçada pelo movimento Passe Livre e que logo em seguida, juntou- se a insatisfação da população com a realização da Copa do Mundo no Brasil.Uma Copa totalmente excludente, com p...adrões elitista sendo impostos pela FIFA e todo o dinheiro tirado de algumas áreas como saúde e educação para a realização deste evento, além da corrupção que está tão presente no sistema político do país.
          Durante todo esse processo, percebeu-se uma insatisfação de todos, mais especificamente da juventude com a política brasileira de um modo geral. A juventude hoje já não acredita no sistema político vigente e tem certa resistência aos partidos, em sua maioria, não se interessam em entrar na política de uma maneira formal (candidatando-se ou filiando-se), tendo até um pouco de preconceito com aqueles que militam nesses espaços.Isso é um reflexo claro que de o sistema político atual não tem atendido os interesses sociais.No entanto, a presidenta Dilma manifestou-se em rede nacional para colocar sua posição sobre a situação e uma das sugestões dada por ela foi a realização de um Plebiscito, para que a população decidisse se seria necessário fazer um Reforma Política no país. Depois desse pronunciamento, a mesma sofreu pressões da base conservadora do Congresso, do STF e até mesmo da mídia que se colocaram contra. Erroneamente a presidenta não levou o Plebiscito adiante.
            É claro que essas instituições que se colocaram contra, nunca iriam defender a idéia de um Plebiscito sobre a Reforma, pois são elas quem detém o poder do sistema econômico e midiático que influenciam diretamente nas decisões do país, enquanto a população paga o preço pelo domínio desses setores no Estado.
Os movimentos sociais como sempre não deixaram se influenciar e neste ano de 2014 já se organizam para que o Plebiscito realmente aconteça e que se construa uma Reforma Política Popular, contemplando as especificidades da sociedade e aproximando-a das decisões do Congresso. Já existe um Comitê formado por diversos movimentos de todo o país para a realização de uma “Constituinte Exclusiva por um novo Sistema Político”, que seria a proposta de uma Reforma Política que aproximaria a sociedade civil das decisões do Estado, exercendo a democracia de maneira justa.
           Dentre todos esses movimentos, os movimentos feministas têm entrado a fundo nesse debate, pois se boa parte da população não participa da vida política, as mulheres muito menos e isso ocorre por conta da exclusão social que as mulheres sofrem, não só as mulheres, mas os negros, homossexuais e indígenas. É nítido perceber que a luta por direitos desses grupos específicos tem sido conturbada, pois o Congresso em grande parte é formado por conservadores e preconceituosos. Alguns deles, religiosos e empresários.Atualmente ele é formado majoritariamente por homens e as mulheres são apenas 9% na Câmara dos Deputados e 12% no Senado, mesmo com as cotas exigidas para mulheres nos partidos políticos, os mesmo pouco investem em candidaturas femininas, inclusive os partidos de esquerda.
           

           O maior reflexo de tudo isso é que os “projetos de lei” voltados para os direitos das mulheres são poucos discutidos e sofrem pressão da bancada fundamentalista. Uma solução cabível para tal situação, seria as listas com alternância de sexo, onde tornaria obrigatório aos partidos investirem em candidaturas femininas.Interferindo diretamente no Estado é que as mulheres podem mudar essa situação e fortalecer a paridade, pois apenas pressionar o governo não está sendo o suficiente.
Esta é uma oportunidade de se mudar os rumos políticos do país e de fato se construir uma sociedade igualitária, o primeiro passo já foi dado.
 
 


Seguiremos em Marcha!
 
Karla Ramalho