domingo, 13 de junho de 2021

FATORES AMBIENTAIS E APRENDIZAGEM

                                        

O cérebro humano, não é um órgão inflexível, ele está sempre se moldando ao logo do tempo e de acordo com os estímulos que lhe é oferecido. É na primeira infância que corresponde o período de 0 a 6 anos, que a criança está mais sensível a receber estímulos e assim  moldar seu cérebro cada vez mais. Estímulos esses que são feitos através de sensações, percepções gustativas, auditivas, visuais e táteis e que acontecem principalmente na interação do corpo e da mente com o meio. Além de tudo isso, o afeto, boa alimentação, qualidade de vida, ou seja, um ambiente saudável é de extrema importância para o bom desenvolvimento do individuo e consequentemente facilita o desenvolvimento cognitivo. Como afirma Robeiro, Silva, Caneiro, nos estudos sobre desenvolvimento infantil, baseado em Vygotsky:

 

“(...) a memória, a linguagem e o pensamento são produtos de uma estrutura sociocultural. Dessa forma , o contexto cultural é responsável por moldar os comportamentos, as transformações e as evoluções ao longo do desenvolvimento.”. (ROBEIRO; SILVA; CANEIRO).  

 

É importante ressaltar que cada indivíduo é um ser único, assim como seu processo de aprendizado e desenvolvimento como um todo. Ao longo dos anos, muitas instituições de ensino, começaram a ter um olhar diferenciado para o estudo da Neurociências e educação e como aprender não se inicia apenas por conteúdos sistematizados.

 O aprender vai muito além, a criança deve está apta, confortável e ter vivenciado diversas experiências, sejam elas sensoriais, motoras e psicomotoras. Com todo esse estudo sobre a Neurociência e também levando em conta os estudos de Vygotsky,  a Educação Infantil, passou a ser vista com um novo olhar, mesmo que nos dias atuais, continue sendo desvalorizada. Sendo de extrema importância tirar a Educação Infantil de um caráter assistencialista e colocá-la como uma importante etapa do desenvolvimento humano, pode-se dizer, a mais importante. Portanto, ela se torna um direito indispensável para as crianças e principalmente, uma  obrigação do governo de investir nessa etapa da educação, com o intuito de contribuir para o bom desenvolvimento do indivíduo em todo o seu período escolar. O Currículo em Movimento do Distrito,  enfatiza bastante essa importância de tirar a Educação Infantil do viés assistencialista:

 

A Educação Infantil não é assistencial, tampouco preparatória, pois trata-se de uma etapa da Educação Básica que abarca os direitos de aprendizagem voltados às reais e atuais necessidades e interesses das crianças no sentido de proporcionar seu desenvolvimento integral. (Currículo em Movimento do Distrito Federal, 2018).

 

Ou seja, a Educação Infantil, além de não ser assistencialista, ela não é focada em conteúdos sistematizados e sim nas vivências tão importantes para a o crescimento integral da criança. Jogos, brincadeiras e materiais adequados (tinta, giz de cera, papel, massinha e etc),  surgem como alternativas para se trabalhar nessa fase, no entanto, não é algo sem objetivo e sem organização, pois é fundamental, estabelecer os pontos a serem trabalhados em cada brincadeira, atividade  ou o uso de brinquedos, além da importância da rotina, pois organização é primordial para uma ampliação qualificada  de estímulos para o cérebro, como também deixa claro o Currículo em Movimento do Distrito Federal.

 

 A organização do trabalho pedagógico é de suma importância na condução e consolidação do processo educativo, sobretudo na Educação Infantil. Para orientar o trabalho pedagógico no desenvolvimento infantil, é preciso promover uma ação educativa devidamente planejada, efetiva e aberta ao processo avaliativo. Por isso, é imprescindível pensar os tempos, os ambientes, os materiais , bem como as rotinas que são organizadas nesse contexto educativo. (Currículo em Movimento do Distrito Federal, 2018).

 

Dentro desse processo de desenvolvimento, a partir da entrada da criança na Educação Infantil, a família e o ambiente familiar, tem um importante papel nesse processo, pois não adianta escola desempenhar a função  de  ensinar e estimular de  maneira integral, com rotina e instrumentos, sendo que em casa, a criança tem um ambiente hostil e desorganizado. Como já foi dito anteriormente, a criança necessita de afeto e organização para crescer de maneira saudável, por isso, a importância de se ter políticas públicas que protejam a criança, não somente focada na educação, mas também políticas sociais, pois o espaço social, também deve ser um ambiente educador. Atualmente os direitos da criança e do adolescente são garantidos através de lei específica que é o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

 

 Art 3º - A criança e o adolescentes gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral que trata esta Lei, assegurando-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facilitar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

 

Art 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar.

 

Outro importante teórico  e estudioso do processo de desenvolvimento da criança é Jean Piaget que o divide em estágios, de maneira que, em cada estágio ocorre uma maturação para assim se passar para outra etapa.

Vejamos:

  • 1º período: sensório motor (0 a 2 anos);
  • 2º período: pré-operatório (2 a 7 anos);
  • 3º período: operações concretas (7 a 11 ou 12 anos);
  • 4º período: operações formais (11 ou 12 anos em diante).

E para ele, o desenvolvimento não está intrínseco a aprendizagem, ou seja, é um processo biológico, não levando em conta todo a influencia do meio e das interações sociais na qual o indivíduo está inserido, como aponta Vygotsky.

É no processo escolar que geralmente as primeiras dificuldades de aprendizagem começam a ficar evidentes e na maioria das vezes é o professor o primeiro a observar. Em todo o caso, o mais indicado a se fazer é encaminhar para um  estudo de caso para averiguar se há algum transtorno ou apenas uma dificuldade momentânea, levando em conta que cada indivíduo tem o seu processo.

Por isso, a partir do momento que é detectado algo fora do comum, teste, exames e relatórios devem ser feitos, pois quando mais cedo tiver um diagnóstico, melhor para a intervenção, até porque o cérebro é um órgão privilegiado, por conta de sua plasticidade, através de estímulos que recebe, seja em tratamento, ou em diversos casos de aprendizagem, ou até mesmo involuntariamente.

O psicopedagogo, atua principalmente nessa questão, ou seja, um mediador e estimulador para sanar ou amenizar as dificuldades de aprendizagem, que atingem principalmente o campo pedagógico. Intervenções pedagógicas, quando feitas adequadamente, trazem grandes resultados não só no campo pedagógico, mas também como qualidade de vida. Como exemplica Rota, Bridi Filho, Bridi:

 

Compreender que as intervenções no campo educativo são capazes de alterar modos de aprender, comportamentos e ampliações nas construções cognitivas construindo novos significados, reordenando ou organizando elementos subjetivos é consenso no campo da educação e mais especificamente, da pedagogia. (Rota; Bridi Filho; Bridi, 2018, p.1).

 

 Quando fatores ambientais ocasionam o atraso pedagógico e a dificuldade de aprendizagem, não há laudo específico, mas é necessário um acompanhamento com profissionais adequados para as atividades, que busquem despertar áreas adormecidas do cérebro, comecem a ser ativadas como um meio de melhorar a aprendizagem e consequentemente contribuir para a vida escolar do indivíduo. Lembrando que o acompanhamento feito ao indivíduo que apresenta um atraso no campo pedagógico, deve ser contínuo, feito pela Sala de Recurso e serviço de apoio da escola, para sanar o seu atraso e permitir que outras questões não o afete, também, pois o atraso na aprendizagem, pode trazer baixa auto estima e até mesmo a evasão escolar.

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