quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Crises, homens e relações...

 
 
Na sociedade da autoafirmação, dos conflitos, dos esteriótipos e do preconceito, vivemos um período onde as relações estão em crise. Vou falar aqui, sobre as relações amorosas dos héteros.
 
Nós mulheres ainda precisamos de muita luta pra estarmos em pé de igualdade com os homens, nessa sociedade totalmente patriarcal(voltada para os interesses deles). Andamos a passos lentos para um processo de libertação, mas andamos.
 
Quero fazer uma análise das relações de hoje, inspirada nas minhas experiências e de algumas amigas próximas.
 
Vou começar falando sobre a paquera:
 
Ai como eu adoro paquerar!!! Não sou adepta desse tal de “tinder”, não troco uma paquera em uma balada ou em qualquer outro lugar, por um encontro marcado virtualmente.
 
Olhares... Adoro olhares! Já fico a fim do cara, só pelo jeito dele olhar. Nada melhor do que aquele momento quando na balada os olhares se cruzam, preparando o terreno pra uma aproximação.
 
E se a aproximação for bem feita, descontraída, papo legal e tal... Melhor ainda! Se o cara for bom de papo já me conquista, fácil. Se rolar sexo depois é vantagem, aliás, ficar só de beijinho é coisa de adolescente, né! Mas tem que tá a fim...Se o sexo for bom, já rola uma troca de contatos e vamos de zap zap, porque ligar pra alguém hoje em dia é raridade.
 
 
Vamos ao que realmente interessa!
 
 
Primeira questão:
 
 
Quem tem medo de mulher empoderada?
 
Muitos homens, muitos mesmo...É muito mais fácil para eles  se relacionar com uma mulher que ainda está oprimida(sem ter consciência disso) e que fica atrás sempre, do que se relacionar com uma mulher que sabe o que quer, que não vai morrer pelo cara, e vai se apaixonar sem ser submissa.
 
Adoro me jogar nas relações, adoro "romancinho", adoooorooo! Romancinho nem precisa ser relacionamento sério... Apenas uma ligação em um fim de semana qualquer, pra sair, cineminha, uma transa legal. Mas acontece é que a maioria dos homens acham que quando ligamos fazendo esse convite é porque já estamos morrendo por eles. Eles, em sua maioria  covardes, começam a nos a “tirar de tempo”. Eu sou adepta do seguinte trato: Não quer mais ficar, dá idéia, não precisa tratar mal, aliás, ninguém é obrigado a ficar com ninguém.
 
 
Segunda questão:
 
 
Tudo bem que geralmente as pessoas ficam com mais de uma pessoa, nas suas relações casuais. Eu mesmo faço isso. Mas tem que ter uma organização, aí! Ficar com outra na frente daquela que ficou no dia anterior é horrível. Pois é! Muitos homens têm mania de fazer isso. Meu Deuuuuuus!!!! O mundo não gira em torno do pau de vocêeeeees!
 
 
Terceira questão:
 
 
Por que precisamos nos boicotar quando estamos gostando?
 
Tipo: “Não fica mandando recado não, senão o cara some”. “Não fala que está gostando”. Uai! Por que preciso ficar fazendo coisas que não quero fazer, pensando no que o cara vai pensar.? Se eu estou a fim de ligar, eu ligo, se estou gostando, eu falo mesmo. Jogo a real! E se o cara não quiser, paciência.Partir pra próxima! Uma amiga do babado chama esse auto boicote de: JOGUINHO DE HÉTERO. Adoreeeeeei!
 
 
Quarta questão:
 
Que medo é esse de se relacionar?
 
Creio que muitos homens ainda têm o pensamento de que se começarem a namorar, vão acabar com sua  vida social. Como assim? Namoro é compartilhamento, é divertir junto ou com a galera também. Eu mesmo adorava sair com meu ex namorado, tomar todas, enfiar o pé na jaca e depois transar super bêbada(convenhamos que muitas de nós ficamos duplamente safadas quando estamos bêbadas). Eu só namoro um cara que tem os mesmos gosto que o meu e que goste de fazer as mesmas coisas.Se não gostar, a gente se adapta um ao jeito do outro, porque relação também é ceder, contanto que venha dos dois lados. E também rola de fazer programas sozinhos,cada um pro seu canto, sem cobranças e com confiança.
 
 
Quinta questão:
 
 
Ar novinha? Ar novinha? Pelo amor de Deus! Não troco os meus quase trinta anos de toda experiência, maturidade e desenvoltura sexual, por um novinha. Uma pergunta: Qual a idade dessas novinhas mesmo?
 
 
Conclusão:
 
 
É muito mais difícil para nós mulheres libertas, encontrarmos alguém. Porque a maioria dos homens não evoluíram para essas questões. Mas isso não me deprime, não. Vou por aí, caçando nas minhas paqueras e se achar  um cara, um pouquinho machista e rolar um envolvimento,  eu educo.Admito isso! Vivemos  em uma sociedade machista  e o homem perfeito não existe. Agora se for um machistãaaaaaao, aí não tem jeito. É cair fora!
 
Não precisamos nos submetermos a situações com medo de ficarmos sozinhas, as vezes é muito melhor estarmos solteiras do que em  uma relação de submissão, mesmo que sutilmente.
 
Confesso que tenho um pouco de receio desse "mundo moderno", onde há mais medo de se envolver, do que o arrependimento de não ter tentado. Onde as conversas não se prolongam.Onde muitos não veem que vale a pena conhecer, investir, ou simplesmente, tentar. O bom da vida é colecionar histórias! Até mesmo as ruins, pois elas servem de aprendizado.
 
E se não rolar um cara , eu vou me divertindo comigo mesma, ou com meu Bilú(vibrador), prefiro assim do que transar com homem idiota. Deixo o conselho para todas!
 
 
 
Um beijo!
 
Karlinha Ramalho
 

sábado, 18 de outubro de 2014

Naturalização da Violência


Infelizmente hoje no Brasil, os casos de violência contra as mulheres continuam alarmantes, se tornando algo cada vez mais cotidiano, tanto nos noticiários, como dentro de casa, na rua, com uma amiga ou uma conhecida. Não somente a violência física, mas também a violência simbólica. É muito comum se ouvir a expressão: "Mulher de malandro", "Apanha porque quer" e tantas outras frases machistas. Todo esse tipo de violência é naturalizada por um simples fato: Na sociedade se vive uma relação desigual entre homens e mulheres.E essa relação denomina-se: Machismo. O machismo encontra-se tão intrínseco nas pessoas, que várias formas de violência contra mulher não causam muito espanto social.
Na mídia também as mulheres também são violentadas, pois os corpos feminismos são usados com apelo sexual, as novelas reforçam o lado "frágil" e também, a submissão da mulher , além de reforçarem virilidade dos homens. Nas propagandas, as mulheres são  utilizadas pra vender desde produtos de limpeza à bebida alcoólica.Há uma imposição de padrões de beleza (branca/magra),sendo um bom pretexto para industrias de cosméticos e remédios para emagrecer enriquecerem, além de perpetuar o racismo e a gordofobia.


Outra questão é o prazer feminino que é sempre reprimido. Reprimido porque a mulher sofre preconceito por assumir seus desejos, por não ter medo de assumir seu corpo, de escolher seu parceiro, de falar o que pensa e fazer o que lhe dá prazer. Com isso, percebe-se que quando a mulher se liberta, ela será julgada, e com certeza, levará uma "pedrada" da sociedade, assim como a Geni da música do Chico Buarque: "Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni!Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra todo mundo! Maldita Geni!!!!"


Agora um dos fatores mais perversos do machismo na vida das mulheres é a culpabilização. É comum ouvirmos em caso de violência o famoso, "mas", logo depois de alguma agressão, como por exemplo: " Apanhou do marido, MAS fez por onde". "O marido bateu nela, MAS ela o traiu". Geralmente há sempre uma justificativa para a violência e as mulheres em sua maioria são culpabilizadas, por isso. Até mesmo por baixa auto estima e opressão, elas mesmas se culpabilizam por tais violências.Quando uma mulher é agredida, mesmo sendo amparada por lei, ela se sente obrigada a se esconder, a mudar de lugar, sente vergonha e é julgada socialmente.Enquanto a vida do agressor pouco muda. É claro que ele irá responder judicialmente, mas sua vida social não é prejudicada, pois continuará freqüentando os mesmo lugares, a mesma turma de amigos, não precisará se esconder e nem será julgado pelas pessoas.Na maioria dos casos é isso que acontece.
As mulheres não podem ser culpabilizadas e nem julgadas, não podem carregar o fardo físico e psicológico de uma violência, muito pelo contrário, é o homem que tem que carregar tudo isso, é ele que tem que carregar a culpa por sua agressão.

Seguiremos em Marcha!

*Karla Ramalho é professora, poetiza, militante do Partido os Trabalhadores
e da Marcha Mundial das Mulheres no DF

domingo, 3 de agosto de 2014

Reforma Política: Qual o nosso papel?

          
           O ano de 2013 foi um ano intenso, um ano que com certeza entrará para a história do país. Onde a população se mobilizou, foi para as ruas e levantou sua bandeira. Tudo começou com uma reivindicação contra o aumento da passagem em São Paulo, encabeçada pelo movimento Passe Livre e que logo em seguida, juntou- se a insatisfação da população com a realização da Copa do Mundo no Brasil.Uma Copa totalmente excludente, com p...adrões elitista sendo impostos pela FIFA e todo o dinheiro tirado de algumas áreas como saúde e educação para a realização deste evento, além da corrupção que está tão presente no sistema político do país.
          Durante todo esse processo, percebeu-se uma insatisfação de todos, mais especificamente da juventude com a política brasileira de um modo geral. A juventude hoje já não acredita no sistema político vigente e tem certa resistência aos partidos, em sua maioria, não se interessam em entrar na política de uma maneira formal (candidatando-se ou filiando-se), tendo até um pouco de preconceito com aqueles que militam nesses espaços.Isso é um reflexo claro que de o sistema político atual não tem atendido os interesses sociais.No entanto, a presidenta Dilma manifestou-se em rede nacional para colocar sua posição sobre a situação e uma das sugestões dada por ela foi a realização de um Plebiscito, para que a população decidisse se seria necessário fazer um Reforma Política no país. Depois desse pronunciamento, a mesma sofreu pressões da base conservadora do Congresso, do STF e até mesmo da mídia que se colocaram contra. Erroneamente a presidenta não levou o Plebiscito adiante.
            É claro que essas instituições que se colocaram contra, nunca iriam defender a idéia de um Plebiscito sobre a Reforma, pois são elas quem detém o poder do sistema econômico e midiático que influenciam diretamente nas decisões do país, enquanto a população paga o preço pelo domínio desses setores no Estado.
Os movimentos sociais como sempre não deixaram se influenciar e neste ano de 2014 já se organizam para que o Plebiscito realmente aconteça e que se construa uma Reforma Política Popular, contemplando as especificidades da sociedade e aproximando-a das decisões do Congresso. Já existe um Comitê formado por diversos movimentos de todo o país para a realização de uma “Constituinte Exclusiva por um novo Sistema Político”, que seria a proposta de uma Reforma Política que aproximaria a sociedade civil das decisões do Estado, exercendo a democracia de maneira justa.
           Dentre todos esses movimentos, os movimentos feministas têm entrado a fundo nesse debate, pois se boa parte da população não participa da vida política, as mulheres muito menos e isso ocorre por conta da exclusão social que as mulheres sofrem, não só as mulheres, mas os negros, homossexuais e indígenas. É nítido perceber que a luta por direitos desses grupos específicos tem sido conturbada, pois o Congresso em grande parte é formado por conservadores e preconceituosos. Alguns deles, religiosos e empresários.Atualmente ele é formado majoritariamente por homens e as mulheres são apenas 9% na Câmara dos Deputados e 12% no Senado, mesmo com as cotas exigidas para mulheres nos partidos políticos, os mesmo pouco investem em candidaturas femininas, inclusive os partidos de esquerda.
           

           O maior reflexo de tudo isso é que os “projetos de lei” voltados para os direitos das mulheres são poucos discutidos e sofrem pressão da bancada fundamentalista. Uma solução cabível para tal situação, seria as listas com alternância de sexo, onde tornaria obrigatório aos partidos investirem em candidaturas femininas.Interferindo diretamente no Estado é que as mulheres podem mudar essa situação e fortalecer a paridade, pois apenas pressionar o governo não está sendo o suficiente.
Esta é uma oportunidade de se mudar os rumos políticos do país e de fato se construir uma sociedade igualitária, o primeiro passo já foi dado.
 
 


Seguiremos em Marcha!
 
Karla Ramalho

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Direito ao nosso corpo!

       
  O mês de novembro é um mês de luta, pois além de ser um o mês da Consciência Negra onde se há um debate mais amplo e diversas atividades sobre a importância dos negros para a formação do nosso povo, a luta contra o racismo e a exaltação de Zumbi dos Palmares como um de nossos grandes heróis é também é o mês de Combate a Violência Contra a Mulher, mais especificamente no dia 25. Esse dia é um dia de intensa discussão e ações em todo o país, mobilizado por diversos movimentos feministas, inclusive a Marcha Mundial das Mulheres.
A violência contra a mulher pode acontecer de diversas formas. A violência física e psicológica que na maioria dos casos acontecem no ambiente doméstico, a violência moral e sexual que em alguns casos acontecem no ambiente de trabalho e a mais comum de todas, a violência sexista, tão banalizada na mídia atual. Há também uma violência pouco discutida e que é tratada como tabu em nossa sociedade que é a Criminalização do Aborto, que é sim uma violência contra a mulher, por colocar toda a culpa sobre ela, e esquecer o papel do homem nisso, por não levar em conta o contexto que ela vive e por não respeitar o direito de decisão sobre o seu corpo e sobre sua vida.
Será que somos realmente livres?
No país onde o aborto é a quinta causa de morte de mulheres, fica claro a omissão do poder público em relação a esse assunto. Em um parlamento formado majoritariamente por homens, o aborto é discutido como crime e não como questão de saúde da mulher, usando a desculpa de salvar um feto, enquanto muitas mulheres morrem por conta de abortos precários, em sua maioria mulheres pobres e negras. Enquanto as mulheres com condições financeiras elevadas, pagam em média 5,000 mil reais por um aborto com procedimentos seguros.
As pessoas vêem o aborto como algo ruim porque não se tem um debate amplo com a população. Pois antes de se legalizar seria necessário se ter no país uma política pública eficiente e de qualidade para a saúde da mulher. Com informações de prevenção às DSTs, distribuição de remédios contraceptivos e consultas periódicas com ginecologista. O aborto seguro deve ser feito até a 12° semana de gestação, depois disso tanto o bebê como a mãe correm sérios riscos.
No Brasil só é permitido aborto em três ocasiões específicas: Quando há risco de vida a mulher, quando é constatado que o bebê que está sendo gerado sobre anencefalia (má formação do cérebro) ou em caso de gravidez provocada por estupro(caso esse que está querendo ser derrubado pela bancada conservadora da Câmara, através do Estatuto do Nascituro).
Recentemente, em 2012, o Uruguai legalizou o aborto e desde essa decisão até os dias atuais foram realizados mais de 2.000 abortos seguros, e nenhuma morte de mulher foi registrada. No país, antes da mulher tomar a decisão, ela tem acompanhamento de psicólogo, assistente social e ginecologista, tendo cinco dias para pensar a respeito.
“Pesquisas mostram que países em que já existe a legalização, a qualidade de vida das mulheres é melhor e a população vive em maior bem estar pessoal.” (Portal: Planeta Sustentável). O Brasil ainda continua sendo uns dos países mais conservadores quando a questão é o direito da mulher sobre seu corpo.
Mais de 70% das mulheres que assumem ter feito um aborto vivem em relações estáveis e dizem ter uma religião. Ou seja, proibir o aborto não impede que as mulheres o realize. Faça uma pesquisa informal e se surpreenderá, pois muitas que já fizeram aborto, não seguiram seus valores religiosos e nem a proibição do poder público, decidiram por si só sobre o seu destino.
A concepção de vida que hoje é usada como desculpa para criminalizar essa prática vem de um conceito cristão que influencia um estado laico, ou seja, algo totalmente inconstitucional.Valores religiosos não podem intervir na decisão do estado e nem da decisão particular da mulher ao não ser que ela opte por isso. A maternidade é uma escolha e não uma imposição.
É importante lembrar que em agosto deste ano a presidenta Dilma sancionou a PCL 03/2013, que regulamenta atendimento imediato no SUS para mulheres vítimas de estupro, amparo médico e psicológico, registro de ocorrência imediato, encaminhamento para exame e perícia, profilaxia da gravidez e de DSTs.
Apesar desta lei, o Brasil ainda continua bastante atrasado nesse debate, tendo até um retrocesso com o “Estatuto do Nascituro” que também está sendo debatido no parlamento. E o aborto tendo uma discussão quase nula pelo Estado.
Atualmente em média 250 mil mulheres morrem vítima de aborto mal sucedidos. Até quando a sociedade e o poder público vão fechar os olhos para esse debate?
“Criminalizar o aborto. Essa hipocrisia causa hemorragia!”

Karla Ramalho - Militante do Partido dos Trabalhadores, da Marcha Mundial das Mulheres e dos Radicais  Livres de São Sebastião - DF!


domingo, 23 de junho de 2013

Não ao Estatuto do Nascituro!

Mais uma vez a bancada fundamentalista, intitulada “Pró vida”, tenta passar por cima da Constituição, ignorando a laicidade do Estado. No dia 05 de junho foi aprovado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal o Projeto de Lei nº 478/2007 (PL 478), que está sendo chamado por nós, feministas, de “Bolsa Estupro”. Os parlamentares petistas votaram contra. Este PL coloca o feto como ser de direito, retroagindo assim, direitos já garantidos pelo art. 128do Código Penal que são nos casos de estupro, risco de morte a mulher e o recém conquistado e reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, que são nos casos de gestação de anecéfalo.
Segundo o PL,a mulher que for vítima de estupro e engravidar não poderá abortar e se não tiver condições, receberá uma ajuda financeira do Estado (por isso Bolsa Estupro) até a/o filha(o) completar dezoito anos.Caso o autor do estupro for encontrado, terá que registrar a criança e pagar pensão.Ou seja, o Estado quer obrigar a mulher a levar adiante uma gravidez traumática e ainda fazer com o que ela conviva com o indivíduo que a violentou.
Esta proposta coloca o aborto na lista de crimes hediondos, lado a lado com o estupro que também é considerado um crime hediondo. É um absurdo! A sociedade patriarcal e heteronormativa vem interferir mais vez na autonomia da mulher sobre o seu corpo,impedindo-a de tomar suas próprias decisões e ainda a criminaliza por decidir não levar adiante o fruto de uma violência, que por si só é bastante traumático.
Lembrando que o aborto tornou-se algo totalmente ligado a desigualdade social entre as mulheres. Porque uma mulher de classe média alta quando decide abortar, procura uma clinica que mesmo clandestina tem todos os equipamentos seguros para tal procedimento. Já uma mulher de classe social baixa realiza esse procedimento em condições precárias,colocando sua vida em risco.Mas também há outro fator muito interessante a ser debatido sobre a questão do aborto, pois segundo o site do Jornal Tabaréo o aborto é bastante comum em mulheres estabilizadas, como aponta pesquisa do SUS:

       Um mapeamento dessas pesquisas nos últimos 20 anos, realizado pelo Ministério da Saúde, revela que as mulheres que recorrem à prática têm, em sua maioria, entre 20 e 29 anos e se encontram em união estável. Grande parte delas têm até oito anos de estudo e são trabalhadoras, católicas, com pelo menos um filho e usuárias de métodos contraceptivos. Contudo, essas pesquisas não abrangem a diversidade de mulheres que optam por interromper a gravidez, uma vez que se baseiam em prontuários e relatórios médicos coletados em hospitais da rede pública de saúde. A estimativa é de que as pacientes que recorrem ao SUS correspondam a apenas 20% de todas que fazem aborto no país.

             É preciso parar de esconder este assunto.É preciso voltar à tona este debate, pois é algo bem mais comum do que esta sociedade conservadora pensa e “esconde”.Os fundamentalistas preferem criminalizar a mulher que foi violentada do que elaborar políticas públicas que garantem mais segurança, e  punições  aos agressores.
           Segundo pesquisa do portal DESACATO, o numero de estupro tem crescido a cada ano e que o Brasil encontra-se no sétimo lugar em casos de violência contra a mulher. “(...) tem um estupro a cada 10 minutos. Isso significa 144 estupros diários, vezes 365 dão 52.560 estupros por ano...”
            Nesta quarta-feira, 19 de junho, foi nomeada a nova bancada feminista na Câmara Federal para votar contra o Estatuto do Nascituro, caso venha a ser votado em Plenário e articular para que o referido não avance neste sentido, assim como os movimentos feministas de todo o Brasil estão articulando na sociedade e nos espaços de discussões o não avanço do PL 478 no Congresso Nacional. A proposta que será votada na Comissão de Constituição e Justiça - CCJ e poderá ser aprovada na referida.
            Vamos todas (e todos) nos mobilizarmos para que este PL não seja aprovado, garantindo assim, a autonomia da mulher sobre o seu corpo e sua vida. Até quando os homens falarão e decidirão por nós?
NÃO AO ESTATUTO DO NASCITURO, ESTA LUTA É DE TODAS/OS NÓS!

Karla Ramalho
Karla é professora, militante do Partidos dos Trabalhadores e da Marcha Mundial das Mulheres.

Mais informações:
Expressão feminista
Marcha das Vadias
Marcha Mundial das Mulheres
marchamulheres.wordpress.com/

Fontes pesquisadas:

DENUNCIE!
            Delegacia Especial de Atendimento à Mulher
            Endereço: EQS, 204/205, Asa Sul
            Tel.: (61) 3442-4300

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segunda-feira, 18 de março de 2013

Verdadeira história do 8 de março!


MATÉRIA EXCELENTE!
Mulheres, estas bruxas revolucionárias – Sobre o 8 de março! 

Desenho do Latuff

Dia 8 de março é dia internacional da mulher. O império inventou uma história em meados do século 20 e espalhou pela face da terra: O dia 8 de março fora escolhido por eles, por que neste dia, em 1875, centenas de mulheres “coitadinhas” teriam sido queimadas vivas por um empresário malvado que provavelmente não aplicava bem as regras do capitalismo. Pois hoje através de pesquisadores, sabemos que esta história é uma fraude. O dia 8 de março de 1875 caiu num domingo, e embora as mulheres (e homens) trabalhassem 14 horas por dia, sem as mínimas condições de segurança e saúde, inclusive nos sábados, os bons capitalistas americanos eram todos cristãos e o domingo era dia sagrado de descanso. Uma fraude pra tentar esconder a capacidade revolucionária da mulher. Mais uma. Na Idade média elas eram as bruxas que aterrorizavam os homens com suas idéias revolucionárias e eram queimadas nas fogueiras. De bruxas malvadas a coitadinhas. Não mesmo. A história verdadeira é outra. E está assim, bem resumida, na Wikipédia: Na Rússia, as mulheres foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelocalendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtilcontra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.
Verdade seja dita: foram as mulheres que iniciaram a maior revolução do século 20. E o que elas pediam “Pão e Paz”. Queriam os soldados russos de volta, por que eram seus filhos e maridos que morriam como bucha de canhão nos fronts de batalha. Queriam uma vida digna. Como querem até hoje as mulheres revolucionárias que na idade média eram chamadas de bruxas e queimadas nas fogueiras, e hoje tem sua história mal versada pelos capitalistas que insistem em rebaixar o papel da mulher e as próprias mulheres a um papel secundário. Recebem menores salários que os homens embora já sejam maioria como chefes de família. O capital as explora e muitas ainda são vítimas da dupla jornada e de violência doméstica. É tempo de reescrever a história. É tempo de abrir os olhos da humanidade para o que Marx disse no século 19: “A exploração do homem pelo homem só terminará quando o homem deixar de explorar a mulher”. Este parece ser o tempo das mulheres: Aqui no Brasil a Presidenta Dilma é símbolo desta evolução. Que este avanço seja o começo da revolução definitiva, que acabe com a exploração da mulher pelo homem, para que possamos acabar definitivamente com a exploração do homem pelo homem e salvar a humanidade das agruras do sistema capitalista que, vira e mexe, está em crise, e cada uma das crises são os trabalhadores e trabalhadoras que tem seus direitos atacados.
VIDA LONGA A LUTA DAS MULHERES POR DIGNIDADE PARA TODA A HUMANIDADE! QUE O DIA 8 DE MARÇO NÃO SEJA MAIS UM DIA DE DITRIBUIR ROSAS E MENSAGENS. É PRECISO QUE A REVOLUÇÃO CONTINUE, POR QUE MULHERES E HOMENS AINDA SÃO VÍTIMAS DA EXPLORAÇÃO NO MUNDO TODO. E ENQUANTO HOUVER UMA MULHER EXPLORADA POR UM HOMEM OU UM HOMEM SENDO EXPLORADO POR UM HOMEM, NÃO TEREMOS A PAZ NECESSÁRIA PARA QUE O PÃO CHEGUE A TODAS E TODOS.

Luiz Müller

O DESMONTE DA EDUCAÇÃO ESPECIAL/INCLUSIVA PELO GOVERNO IBANEIS

  O atual governador Ibaneis fez sua campanha eleitoral afirmando que a educação seria prioridade em seu governo. No entanto, o que se tem v...