quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Crises, homens e relações...

 
 
Na sociedade da autoafirmação, dos conflitos, dos esteriótipos e do preconceito, vivemos um período onde as relações estão em crise. Vou falar aqui, sobre as relações amorosas dos héteros.
 
Nós mulheres ainda precisamos de muita luta pra estarmos em pé de igualdade com os homens, nessa sociedade totalmente patriarcal(voltada para os interesses deles). Andamos a passos lentos para um processo de libertação, mas andamos.
 
Quero fazer uma análise das relações de hoje, inspirada nas minhas experiências e de algumas amigas próximas.
 
Vou começar falando sobre a paquera:
 
Ai como eu adoro paquerar!!! Não sou adepta desse tal de “tinder”, não troco uma paquera em uma balada ou em qualquer outro lugar, por um encontro marcado virtualmente.
 
Olhares... Adoro olhares! Já fico a fim do cara, só pelo jeito dele olhar. Nada melhor do que aquele momento quando na balada os olhares se cruzam, preparando o terreno pra uma aproximação.
 
E se a aproximação for bem feita, descontraída, papo legal e tal... Melhor ainda! Se o cara for bom de papo já me conquista, fácil. Se rolar sexo depois é vantagem, aliás, ficar só de beijinho é coisa de adolescente, né! Mas tem que tá a fim...Se o sexo for bom, já rola uma troca de contatos e vamos de zap zap, porque ligar pra alguém hoje em dia é raridade.
 
 
Vamos ao que realmente interessa!
 
 
Primeira questão:
 
 
Quem tem medo de mulher empoderada?
 
Muitos homens, muitos mesmo...É muito mais fácil para eles  se relacionar com uma mulher que ainda está oprimida(sem ter consciência disso) e que fica atrás sempre, do que se relacionar com uma mulher que sabe o que quer, que não vai morrer pelo cara, e vai se apaixonar sem ser submissa.
 
Adoro me jogar nas relações, adoro "romancinho", adoooorooo! Romancinho nem precisa ser relacionamento sério... Apenas uma ligação em um fim de semana qualquer, pra sair, cineminha, uma transa legal. Mas acontece é que a maioria dos homens acham que quando ligamos fazendo esse convite é porque já estamos morrendo por eles. Eles, em sua maioria  covardes, começam a nos a “tirar de tempo”. Eu sou adepta do seguinte trato: Não quer mais ficar, dá idéia, não precisa tratar mal, aliás, ninguém é obrigado a ficar com ninguém.
 
 
Segunda questão:
 
 
Tudo bem que geralmente as pessoas ficam com mais de uma pessoa, nas suas relações casuais. Eu mesmo faço isso. Mas tem que ter uma organização, aí! Ficar com outra na frente daquela que ficou no dia anterior é horrível. Pois é! Muitos homens têm mania de fazer isso. Meu Deuuuuuus!!!! O mundo não gira em torno do pau de vocêeeeees!
 
 
Terceira questão:
 
 
Por que precisamos nos boicotar quando estamos gostando?
 
Tipo: “Não fica mandando recado não, senão o cara some”. “Não fala que está gostando”. Uai! Por que preciso ficar fazendo coisas que não quero fazer, pensando no que o cara vai pensar.? Se eu estou a fim de ligar, eu ligo, se estou gostando, eu falo mesmo. Jogo a real! E se o cara não quiser, paciência.Partir pra próxima! Uma amiga do babado chama esse auto boicote de: JOGUINHO DE HÉTERO. Adoreeeeeei!
 
 
Quarta questão:
 
Que medo é esse de se relacionar?
 
Creio que muitos homens ainda têm o pensamento de que se começarem a namorar, vão acabar com sua  vida social. Como assim? Namoro é compartilhamento, é divertir junto ou com a galera também. Eu mesmo adorava sair com meu ex namorado, tomar todas, enfiar o pé na jaca e depois transar super bêbada(convenhamos que muitas de nós ficamos duplamente safadas quando estamos bêbadas). Eu só namoro um cara que tem os mesmos gosto que o meu e que goste de fazer as mesmas coisas.Se não gostar, a gente se adapta um ao jeito do outro, porque relação também é ceder, contanto que venha dos dois lados. E também rola de fazer programas sozinhos,cada um pro seu canto, sem cobranças e com confiança.
 
 
Quinta questão:
 
 
Ar novinha? Ar novinha? Pelo amor de Deus! Não troco os meus quase trinta anos de toda experiência, maturidade e desenvoltura sexual, por um novinha. Uma pergunta: Qual a idade dessas novinhas mesmo?
 
 
Conclusão:
 
 
É muito mais difícil para nós mulheres libertas, encontrarmos alguém. Porque a maioria dos homens não evoluíram para essas questões. Mas isso não me deprime, não. Vou por aí, caçando nas minhas paqueras e se achar  um cara, um pouquinho machista e rolar um envolvimento,  eu educo.Admito isso! Vivemos  em uma sociedade machista  e o homem perfeito não existe. Agora se for um machistãaaaaaao, aí não tem jeito. É cair fora!
 
Não precisamos nos submetermos a situações com medo de ficarmos sozinhas, as vezes é muito melhor estarmos solteiras do que em  uma relação de submissão, mesmo que sutilmente.
 
Confesso que tenho um pouco de receio desse "mundo moderno", onde há mais medo de se envolver, do que o arrependimento de não ter tentado. Onde as conversas não se prolongam.Onde muitos não veem que vale a pena conhecer, investir, ou simplesmente, tentar. O bom da vida é colecionar histórias! Até mesmo as ruins, pois elas servem de aprendizado.
 
E se não rolar um cara , eu vou me divertindo comigo mesma, ou com meu Bilú(vibrador), prefiro assim do que transar com homem idiota. Deixo o conselho para todas!
 
 
 
Um beijo!
 
Karlinha Ramalho
 

sábado, 18 de outubro de 2014

Naturalização da Violência


Infelizmente hoje no Brasil, os casos de violência contra as mulheres continuam alarmantes, se tornando algo cada vez mais cotidiano, tanto nos noticiários, como dentro de casa, na rua, com uma amiga ou uma conhecida. Não somente a violência física, mas também a violência simbólica. É muito comum se ouvir a expressão: "Mulher de malandro", "Apanha porque quer" e tantas outras frases machistas. Todo esse tipo de violência é naturalizada por um simples fato: Na sociedade se vive uma relação desigual entre homens e mulheres.E essa relação denomina-se: Machismo. O machismo encontra-se tão intrínseco nas pessoas, que várias formas de violência contra mulher não causam muito espanto social.
Na mídia também as mulheres também são violentadas, pois os corpos feminismos são usados com apelo sexual, as novelas reforçam o lado "frágil" e também, a submissão da mulher , além de reforçarem virilidade dos homens. Nas propagandas, as mulheres são  utilizadas pra vender desde produtos de limpeza à bebida alcoólica.Há uma imposição de padrões de beleza (branca/magra),sendo um bom pretexto para industrias de cosméticos e remédios para emagrecer enriquecerem, além de perpetuar o racismo e a gordofobia.


Outra questão é o prazer feminino que é sempre reprimido. Reprimido porque a mulher sofre preconceito por assumir seus desejos, por não ter medo de assumir seu corpo, de escolher seu parceiro, de falar o que pensa e fazer o que lhe dá prazer. Com isso, percebe-se que quando a mulher se liberta, ela será julgada, e com certeza, levará uma "pedrada" da sociedade, assim como a Geni da música do Chico Buarque: "Joga pedra na Geni! Joga pedra na Geni!Ela é feita pra apanhar! Ela é boa de cuspir! Ela dá pra todo mundo! Maldita Geni!!!!"


Agora um dos fatores mais perversos do machismo na vida das mulheres é a culpabilização. É comum ouvirmos em caso de violência o famoso, "mas", logo depois de alguma agressão, como por exemplo: " Apanhou do marido, MAS fez por onde". "O marido bateu nela, MAS ela o traiu". Geralmente há sempre uma justificativa para a violência e as mulheres em sua maioria são culpabilizadas, por isso. Até mesmo por baixa auto estima e opressão, elas mesmas se culpabilizam por tais violências.Quando uma mulher é agredida, mesmo sendo amparada por lei, ela se sente obrigada a se esconder, a mudar de lugar, sente vergonha e é julgada socialmente.Enquanto a vida do agressor pouco muda. É claro que ele irá responder judicialmente, mas sua vida social não é prejudicada, pois continuará freqüentando os mesmo lugares, a mesma turma de amigos, não precisará se esconder e nem será julgado pelas pessoas.Na maioria dos casos é isso que acontece.
As mulheres não podem ser culpabilizadas e nem julgadas, não podem carregar o fardo físico e psicológico de uma violência, muito pelo contrário, é o homem que tem que carregar tudo isso, é ele que tem que carregar a culpa por sua agressão.

Seguiremos em Marcha!

*Karla Ramalho é professora, poetiza, militante do Partido os Trabalhadores
e da Marcha Mundial das Mulheres no DF

domingo, 3 de agosto de 2014

Reforma Política: Qual o nosso papel?

          
           O ano de 2013 foi um ano intenso, um ano que com certeza entrará para a história do país. Onde a população se mobilizou, foi para as ruas e levantou sua bandeira. Tudo começou com uma reivindicação contra o aumento da passagem em São Paulo, encabeçada pelo movimento Passe Livre e que logo em seguida, juntou- se a insatisfação da população com a realização da Copa do Mundo no Brasil.Uma Copa totalmente excludente, com p...adrões elitista sendo impostos pela FIFA e todo o dinheiro tirado de algumas áreas como saúde e educação para a realização deste evento, além da corrupção que está tão presente no sistema político do país.
          Durante todo esse processo, percebeu-se uma insatisfação de todos, mais especificamente da juventude com a política brasileira de um modo geral. A juventude hoje já não acredita no sistema político vigente e tem certa resistência aos partidos, em sua maioria, não se interessam em entrar na política de uma maneira formal (candidatando-se ou filiando-se), tendo até um pouco de preconceito com aqueles que militam nesses espaços.Isso é um reflexo claro que de o sistema político atual não tem atendido os interesses sociais.No entanto, a presidenta Dilma manifestou-se em rede nacional para colocar sua posição sobre a situação e uma das sugestões dada por ela foi a realização de um Plebiscito, para que a população decidisse se seria necessário fazer um Reforma Política no país. Depois desse pronunciamento, a mesma sofreu pressões da base conservadora do Congresso, do STF e até mesmo da mídia que se colocaram contra. Erroneamente a presidenta não levou o Plebiscito adiante.
            É claro que essas instituições que se colocaram contra, nunca iriam defender a idéia de um Plebiscito sobre a Reforma, pois são elas quem detém o poder do sistema econômico e midiático que influenciam diretamente nas decisões do país, enquanto a população paga o preço pelo domínio desses setores no Estado.
Os movimentos sociais como sempre não deixaram se influenciar e neste ano de 2014 já se organizam para que o Plebiscito realmente aconteça e que se construa uma Reforma Política Popular, contemplando as especificidades da sociedade e aproximando-a das decisões do Congresso. Já existe um Comitê formado por diversos movimentos de todo o país para a realização de uma “Constituinte Exclusiva por um novo Sistema Político”, que seria a proposta de uma Reforma Política que aproximaria a sociedade civil das decisões do Estado, exercendo a democracia de maneira justa.
           Dentre todos esses movimentos, os movimentos feministas têm entrado a fundo nesse debate, pois se boa parte da população não participa da vida política, as mulheres muito menos e isso ocorre por conta da exclusão social que as mulheres sofrem, não só as mulheres, mas os negros, homossexuais e indígenas. É nítido perceber que a luta por direitos desses grupos específicos tem sido conturbada, pois o Congresso em grande parte é formado por conservadores e preconceituosos. Alguns deles, religiosos e empresários.Atualmente ele é formado majoritariamente por homens e as mulheres são apenas 9% na Câmara dos Deputados e 12% no Senado, mesmo com as cotas exigidas para mulheres nos partidos políticos, os mesmo pouco investem em candidaturas femininas, inclusive os partidos de esquerda.
           

           O maior reflexo de tudo isso é que os “projetos de lei” voltados para os direitos das mulheres são poucos discutidos e sofrem pressão da bancada fundamentalista. Uma solução cabível para tal situação, seria as listas com alternância de sexo, onde tornaria obrigatório aos partidos investirem em candidaturas femininas.Interferindo diretamente no Estado é que as mulheres podem mudar essa situação e fortalecer a paridade, pois apenas pressionar o governo não está sendo o suficiente.
Esta é uma oportunidade de se mudar os rumos políticos do país e de fato se construir uma sociedade igualitária, o primeiro passo já foi dado.
 
 


Seguiremos em Marcha!
 
Karla Ramalho