quinta-feira, 11 de julho de 2019

São Sebastião: Muito a se comemorar e muito a se fazer.


No mês passado, a Região Administrativa de São Sebastião, comemorou 26 anos de existência.
Vinte seis anos de uma  história que precisa ser recontada e lembrada. Das três fazendas iniciais dessa região, surgiu uma das regiões administrativas que mais cresce no DF. São Sebastião é uma cidade tão afetiva, que seu nome foi em homenagem a um dos seus grandes defensores, percursores e pioneiros, seu Sebastião Areia, ou só Tião Areia, para os íntimos. Pioneiro que tem sua história fincada nessa terra. Terra, lama, tijolo de tudo, do fundo do rio São Bartolomeu até a ponta da cruz do Morro da Cruz.
São Sebastião deixou de ser cidade dormitório, para ser uma cidade que produz. Produz muito, de tijolo, a cultura. Berço do sarau de periferia, aqui há um eterno palco, desde o forró pisadinha, até o punk. Perpassando pelo reggae maranhense, samba, sertanejo e  lindas quadrilhas juninas que representam a cidade nesse país a fora.
Uma das maiores problemáticas da cidade é a questão da violência e a questão fundiária e uma está bem ligada à outra. Hoje temos um bairro que já está quase maior que a cidade. Fruto de muita especulação e grilagem de terra, onde muitos enriqueceram em cima de sonhos daqueles que juntaram tudo para ter o seu pedaço de chão e em pouco tempo viram seus sonhos destruídos por um trator da Agefis. Deve ser por isso, que a regularização da cidade demora tanto a sair, pois muitos  aproveitadores, ainda têm interesse em grilar terras por aqui. E quando bairros são formados dessa maneira, gera falta de planejamento urbano, ausência de segurança  pública e escola, não conseguindo  atender a demanda da população, piorando assim, a qualidade de vida das pessoas.
Uma cidade que vem ganhando proporções gigantescas e que tem ao seu lado um bairro planejado ,onde o povo quer ser Jardim Botânico, mas consome em São Sebastião, porque é mais barato, sendo que os serviços públicos para atender a população não foram ampliados, como:  escola, posto de saúde, posto policial e etc.
É uma cidade jovem, onde há poucos espaços de lazer e esporte, fazendo com que muitos talentos sejam perdidos por aqui.  Quantos skatistas deixaram de praticar por não ter uma pista de skate decente na cidade? Ou a necessidade de se ter mais de uma... Além da urgência de  revitalizar as praças e quadras, fazendo do espaço publico um espaço de interação, brincadeira, aprendizado, esporte e  de vida saudável.
Apesar de tudo isso, São Sebastião merecia uma festa, sua existência merece ser celebrada. Cidade do Barro, cidade negra , cidade nordestina, mineira, goiana, mistura de povos e crenças.  Tão poética , pois nasceu do barro, assim como ADÃO, mas ela é mulher apesar do nome, A CIDADE DE SÃO SEBASTIÃO. Obrigada pelo seu abrigo de mãe. Mãe da capital. Ganhamos com sua existência, perdemos por você não ter sido lembrada com uma festa. E nem precisava ser festa surpresa!

Obrigada, SÃO SEBAS!!

Karlinha Ramalho

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

ABUSOS E FRAGILIDADES


A maior quebra de silêncio da história brasileira, veio de quase 300 mulheres que denunciaram o abuso sexual cometido pelo mundialmente conhecido  líder religioso, João de Deus. As denúncias trouxeram à tona o debate de como a prática do machismo se fortalece em cima de mulheres que se encontram em situações de fragilidades e de como homens se aproveitam de seu prestígio e “poder” para cometer tais abusos.
Mesmo com tantas denúncias, ainda houve quem desconfiasse de todas essas mulheres e defender o médium. O que deixa claro, que o machismo da sociedade prefere não “manchar” a imagem de um homem socialmente conhecido e idolatrado por muitos, minimizando as denúncias de todas essas mulheres.
João de Deus, claramente usou de seu poder de “influência espiritual” para abusar dessas mulheres em seus piores momentos. É importante lembrar que toda a influência do médium, contribuiu para que muitas mulheres tivessem medo de denunciar, com receio de sofrer represálias, além do trauma psicológico que é tão difícil de ser abordado.
Contudo, fica evidente que muitos abusos machistas acontecem principalmente em cima das fragilidades das vítimas. O abuso é uma das faces mais cruéis do machismo, pois adoece, ofende, fere a dignidade e mata muitas mulheres.

 Karla Ramalho


quarta-feira, 25 de julho de 2018

MASCULINIDADE SAUDÁVEL X DORES FEMININAS



Há um tempo venho reparado em alguns homens que veem com o discurso de buscar uma masculinidade saudável, como reconhecer seus privilégios e se livrar do machismo que também os aprisionam. Está mais que provado que a masculinidade tóxica mata e oprime as mulheres, fruto de toda essa construção social que privilegia os homens em detrimento das mulheres.
Cheguei aos meus 30 anos recentemente e essa idade é realmente crucial na vida de nós mulheres(acredito eu), muitas coisas mudam. Nossa forma de ver o mundo, nossa forma de agir e principalmente, aprendemos com o nossos erros e tentamos não repeti-los. Falo por mim.
Um dos erros que venho tentando não repetir é sobre relacionamentos. Aprendendo a deixar a carência de lado e não me submetendo a certas relações. Buscar um caminho de autocura e descobrir que eu sou suficiente pra mim e que o amor próprio é a minha maior força e dentro dessa pesperctiva, quem sabe me envolver de uma maneira saudável, tendo consciência que não preciso ser permissiva demais para que as coisas possam dar certo. E isso não me cabe só pelo fato de ser mulher. Com certeza, foi sozinha que consegui  buscar essa força, porque não é saudável envolver ninguém em meus conflitos internos.
E os homens¿ Não que eu queira me intrometer na jornada deles de autodescoberta e cura dessa masculinidade tóxica. Mas tenho reparado que a maioria deles criam essa consciência, sempre depois de já terem “bagunçado”  à vida de muitas mulheres. É muito difícil um homem ficar sozinho, mesmo que seja um homem complicado, vai ter sempre alguma mulher pra “comprar” sua história e quando é ao contrário isso não acontece. Isso porque há aquele velho costume do homem de usar as mulheres como “muletas”, pra serem compreensivas com seu momento e ajudá-lo a superar seus conflitos. E muitas de nós, por carência, aceitamos certas situações e esses “homens complicados”. E o que acontece na maioria dos casos¿ Os homens sem a certeza do que querem, machucam muitas mulheres. Esses que estão na busca pela masculinidade saudável, “sacrificam” muitas  nesse processo. Me revolto! Para nós mulheres essa autodescoberta é sempre um caminho complicado e solitário, até pela falta de apoio dos homens em relação ao nosso conflito, ou até mesmo porque é importante que seja um processo nosso. Mas muitos homens não pensam assim, fazem sua trajetória na busca de sua masculinidade saudável em cima de dores femininas. E até quando isso será aceito? Quantas vezes já ouvimos: “Nossa! Fulano mudou mesmo!”. Mudou a que custo? Quantas dores femininas foram aceitas para que o homem pudesse tornar-se melhor?
Uma coisa eu digo e vai para muitos homens: Curem-se sozinhos! Não  “sacrifiquem” mulheres nessa jornada para se tornarem homens melhores. Eu acredito muito na “Lei do Karma” e torço para que faça valer para muitos homens que ainda usam o discurso de ir contra a masculinidade tóxica,  mas não se atentam que enquanto não estiverem bem resolvidos consigo mesmo, não terão relações saudáveis e machucarão muitas mulheres. Se envolvam com a certeza que de que serão de fato homens melhores, não nos enfiem nos seus conflitos internos. Pronto, falei! (SOU DESSAS)


Karlinha Ramalho

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Cuidemos de nós!



É tempo de luta
Levar o filho no colo
E ir pra batalha
Depois do trabalho
Manifestação.


Feministas dos novos tempos
Que traçam seus caminhos e dizem : NÃO!!!
A nós é colocado injustamente o peso do mundo
Mas ainda não nos pediram permissão.
Temos a força,
Mas também
Temos escolhas.


Deixem-nos exercer o direito
De sermos fracas quando quereremos
De buscarmos nossa cura
Pois nossa existência já é uma luta.


De soltar o choro
Ao invés do grito
De ficarmos quieta
De não irmos para o conflito
Pois aqui dentro
Também há um milhão de coisas
Pra cuidarmos
Principalmente um coração aflito.


A força obrigada, só nos adoece
A força que vem de dentro é a que nos fortalece
Nós querem na luta
No cuidado com o mundo
Mas quem se preocupa com nós
Em saber o que se passa lá no fundo?

No fundo de nossas almas querendo abrigo
No fundo dos nossos tormentos
Que muitas vezes
Só querem um acalento.


Não nos perguntam como vai nosso espírito
Caminhamos em tantas marchas
Mas quando chegamos em casa
A liberdade vem com a solidão de vazios
E um coração que se cala.


Mudemos o mundo lá fora
Mas antes
Cuidemos do mundo aqui dentro
Façamos nossas pausas
Caminhemos pela estrada
Façamos uma prece.
Pensemos em nada.


Mudança também se faz de dentro pra fora
O coração também sempre o pede socorro, após
Por isso, cuidemos de nós!



Karlinha Ramalho

domingo, 2 de julho de 2017

E do barro nasceu São Sebastião.

E no lugar de barro, argila, fazendas, do rio São Bartolomeu e uma extensa vegetação de cerrado e rodeada de morros, nasceu  uma cidade, fruto da luta de trabalhadores e trabalhadoras oleiras e alavancada por um humilde oleiro que retirava areia do córrego do rio. Seu Sebastião Areia, que merecidamente teve seu nome como influência para se escolher o nome dessa cidade.
E dos sonhos de muitos Sebastiões, Marias,  Josés, Joanas, mineiros, goianos e nordestinos, essa cidade nasceu e hoje é uma das cidades que mais cresce em todo o Distrito Federal. Cidade celeiro de artistas e atletas e que vem alcançando cada dia mais seu espaço no território do DF, mas ainda necessita de muita melhora em sua infraestrutura e qualidade de vida.
Hoje, São Sebastião completa 24 anos de Região Administrativa, mas sua história vem muito antes disso. Vem das fazendas principais que faziam parte dessa região, que eram elas: Fazenda Papupa, Fazenda Taboquinha e  Cachoeirinha. Já teve nome de  colônia agrícola Papupa, Agrovila e hoje RA, São Sebas como é conhecida pelos “íntimos, ainda guarda muitas histórias e memórias que precisam ser valorizadas e divulgadas.
Muitos que começaram a história dessa cidade, ainda estão vivos e participando ativamente da vida da cidade, são respeitados e lembrados de sua importância, são os “Guardiões de Memória” que com muita sabedoria, guardam em suas mentes e corações a história da cidade.
 São Sebastião ainda precisa ser olhada com mais atenção pelo Estado, pois ainda há um rápido desenvolvimento desorganizado e muitas vezes advindo de grilagem de terras, por senhores aproveitadores e muitos deles exercem um negativo poder de influência na cidade. Há também um número grande de jovens que não têm muitas opções de lazer, aumentando consideravelmente o  envolvimento com o crime e que consequentemente acabam mortos ou presos.  As ruas da cidade ainda estão repletas de buracos, e a sinalização e iluminação ainda são precárias. Ainda não tem um centro cultural público, com salas de cinema e teatro, na maioria das vezes, essas atividades são oferecidas pelos grupos culturais e sociais da cidade. É preciso acreditar no potencial que essa cidade tem a oferecer, principalmente o potencial cultural, turístico e esportivo, mas para isso é necessário investimento.
Em compensação, São Sebastião é um das cidades com mais grupos culturais e sociais organizados, com um Fórum de Entidades Sociais  super ativo e exemplo em todo o DF, temos grupos culturais e casas de culturas alternativas. Além do  mais, a cidade é repleta de atletas e artistas que brilham e levam o nome da cidade pra longe.
À nossa amada São Sebastião, desejamos todo amor do mundo e nosso agradecimento por acolher todo esse povo lutador, artista, atleta, trabalhadores e trabalhadores que criam a identidade dessa cidade, fazendo que ela seja viva e pulsante.
“Sou Olaria, sou Agrovila
Sou São Sebastião.
           Quebrada, periferia, revolução”

KARLINHA RAMALHO


PARABÉNS, SÃO SEBASTIÃO!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Um ano de golpe. Um ano de retrocesso.

Nesta semana, o dia 17 de abril marcou  um ano de golpe de estado , golpe esse que destituiu de seu cargo a presidenta Dilma Rousself, eleita democraticamente em 2014. O impechemant armado pelo legislativo com o apoio do judiciário e da mídia, trouxe ao poder um governo ilegítimo e que ao longo do mandado vem acumulando retrocessos e tirando diversos direitos sociais.
Um ano de golpe, trouxe para o Brasil um grande atraso, começando pela economia que atualmente só visa beneficiar os grandes empresários. Além do país ao longo desse ano está perdendo seu prestígio na economia internacional, voltando a ser  dependente dos países ditos de primeiro mundo. E antes encontrava-se ativo no mercado econômico, podendo citar como exemplo sua atuação nos BRICS.
O plano do governo golpista é  abrir à economia brasileira para o capital estrangeiro e desvalorizando assim,  as empresas estatais. Um  exemplo a ser citado é  a Lei do Pré Sal que permite que empresas estrangeiras explorem o petróleo do país e não dando essa exclusividade para Petrobrás.
Transformar o Estado em Estado-mínimo é uma das metas desse governo, com isso vem precarizando o serviço público, cortando investimentoS e abrindo espaço para a privatização. A terceirização que foi aprovada recentemente vem para englobar toda essa meta.
Diversas secretarias importante de combate as diversas formas de opressões e emancipação de diversos grupos sociais, como a de Igualdade Racial (SEPIR) e Mulher (SPM) foram extintas Lembrando que foi apenas um ano e o que vem daqui pra frente não é nada animador. O projeto de um país que desenvolva e melhore a vida da população vem afundando a cada dia e daqui pra frente a meta é atender as elites e o mercado internacional.
A Reforma da Previdência vem para acabar com a dignidade de todo trabalhador brasileiro, fazendo que o mesmo tenha que trabalhar quase até o final da vida pra obter a aposentaria que é antes de tudo um direito, depois de anos de contribuição.
A mobilização e resistência, liderada pelos movimentos sociais espalhados por todo o Brasil vem contribuindo para mostrar a verdadeira face desse golpe que aconteceu para servir os interesses de uma minoria corrupta. Será  necessário muita luta e resistência popular para lutar contra todos esses retrocessos e tirar esse país da lama.
 E sobre Dilma¿ Retirada de seu cargo sem crime que a condenasse, vem denunciando o golpe em vários países e pode ter certeza que ficará para a história, lutando mais uma vez para trazer de volta ao país à democracia.


FORA TEMER!


Karlinha Ramalho

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sobre abusos e relações...


Quando percebemos que estamos em um relacionamento abusivo? Quando ele acontece?

São questionamentos difíceis de responder, mas são situações que acontecem cotidianamente na vida de muitas mulheres e que deixam grandes sequelas em suas histórias.
A violência contra a mulher é algo que vem sendo amplamente discutido nos últimos dez anos, graças  a Lei Maria da Penha, no entanto, essa realidade de violência, ainda encontra-se  longe de ser transformada.  Todos os dias nos noticiários ou com pessoas próximas, fica-se sabendo de casos de violências contra mulheres.
 Algo importante a se debatido atualmente é sobre relacionamentos abusivos, onde se tem inicio uma série de violência contra a mulher, não só a física, mas também a psicológica. Nesta semana, o Brasil pode presenciar um exemplo de relacionamento abusivo que aconteceu no Big Brother Brasil e que levou a expulsão de um participante por agressão.
Pode-se perceber nessa situação que ocorreu no reality show, como os relacionamentos abusivos se iniciam. Desqualificar a pessoa com quem está ao lado é uma das principais características de um relacionamento abusivo, afetando diretamente sua autoestima. E era isso exatamente que o participante Marcos começou a fazer com a participante Emilly, até gerar uma agressão contra a jovem e  mesmo com todas as afirmações, ela ainda sentiu-se culpada pela expulsão do rapaz. É evidente que a mesma encontra-se com a autoestima muito abalada e que todas  as ações do agressor contribuíram para que ela se culpabilizase pela situação.
Fazer a mulher pensar que não terá mais chance de viver uma relação e que se for abandonada irá ficar sozinha por um longo tempo e o medo da solidão, também são grandes fatores que fazem com que mulheres continuem em relações abusivas.
Deixar que a mulher sinta-se culpada ou errada em seus atos e pensamentos, também é outro indício. Para isso, usa-se um termo em inglês chamado, gaslighting. Outro fator a se lembrar é o controle sobre à vida da mulher, tanto em relação as roupas, gostos  ou escolhas. Muitas mulheres em uma relação abusiva,  deixam de frequentar lugares ou fazer certas coisas, para não desagradar o parceiro.
Há também a questão de não respeitar o momento da mulher, principalmente na hora do sexo, quando a mulher se diz indisposta, mas se ver obrigada a agradar o parceiro, para não gerar uma briga ou algum abandono.
Esses são só alguns exemplos. É importante lembrar que uma relação é feita de companheirismo, onde um anda ao lado do outro e que  quando acontece alguma dessas coisas citadas acima, com certeza é um relacionamento abusivo. Vamos ficar atentas e alertar nossas companheiras para que se livrem desse tipo de relações. E o mais importante: Denunciem, amem-se e  fortaleçam. umas  as outras. Juntas somos fortes!


Karlinha Ramalho