sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Direito ao nosso corpo!

       
  O mês de novembro é um mês de luta, pois além de ser um o mês da Consciência Negra onde se há um debate mais amplo e diversas atividades sobre a importância dos negros para a formação do nosso povo, a luta contra o racismo e a exaltação de Zumbi dos Palmares como um de nossos grandes heróis é também é o mês de Combate a Violência Contra a Mulher, mais especificamente no dia 25. Esse dia é um dia de intensa discussão e ações em todo o país, mobilizado por diversos movimentos feministas, inclusive a Marcha Mundial das Mulheres.
A violência contra a mulher pode acontecer de diversas formas. A violência física e psicológica que na maioria dos casos acontecem no ambiente doméstico, a violência moral e sexual que em alguns casos acontecem no ambiente de trabalho e a mais comum de todas, a violência sexista, tão banalizada na mídia atual. Há também uma violência pouco discutida e que é tratada como tabu em nossa sociedade que é a Criminalização do Aborto, que é sim uma violência contra a mulher, por colocar toda a culpa sobre ela, e esquecer o papel do homem nisso, por não levar em conta o contexto que ela vive e por não respeitar o direito de decisão sobre o seu corpo e sobre sua vida.
Será que somos realmente livres?
No país onde o aborto é a quinta causa de morte de mulheres, fica claro a omissão do poder público em relação a esse assunto. Em um parlamento formado majoritariamente por homens, o aborto é discutido como crime e não como questão de saúde da mulher, usando a desculpa de salvar um feto, enquanto muitas mulheres morrem por conta de abortos precários, em sua maioria mulheres pobres e negras. Enquanto as mulheres com condições financeiras elevadas, pagam em média 5,000 mil reais por um aborto com procedimentos seguros.
As pessoas vêem o aborto como algo ruim porque não se tem um debate amplo com a população. Pois antes de se legalizar seria necessário se ter no país uma política pública eficiente e de qualidade para a saúde da mulher. Com informações de prevenção às DSTs, distribuição de remédios contraceptivos e consultas periódicas com ginecologista. O aborto seguro deve ser feito até a 12° semana de gestação, depois disso tanto o bebê como a mãe correm sérios riscos.
No Brasil só é permitido aborto em três ocasiões específicas: Quando há risco de vida a mulher, quando é constatado que o bebê que está sendo gerado sobre anencefalia (má formação do cérebro) ou em caso de gravidez provocada por estupro(caso esse que está querendo ser derrubado pela bancada conservadora da Câmara, através do Estatuto do Nascituro).
Recentemente, em 2012, o Uruguai legalizou o aborto e desde essa decisão até os dias atuais foram realizados mais de 2.000 abortos seguros, e nenhuma morte de mulher foi registrada. No país, antes da mulher tomar a decisão, ela tem acompanhamento de psicólogo, assistente social e ginecologista, tendo cinco dias para pensar a respeito.
“Pesquisas mostram que países em que já existe a legalização, a qualidade de vida das mulheres é melhor e a população vive em maior bem estar pessoal.” (Portal: Planeta Sustentável). O Brasil ainda continua sendo uns dos países mais conservadores quando a questão é o direito da mulher sobre seu corpo.
Mais de 70% das mulheres que assumem ter feito um aborto vivem em relações estáveis e dizem ter uma religião. Ou seja, proibir o aborto não impede que as mulheres o realize. Faça uma pesquisa informal e se surpreenderá, pois muitas que já fizeram aborto, não seguiram seus valores religiosos e nem a proibição do poder público, decidiram por si só sobre o seu destino.
A concepção de vida que hoje é usada como desculpa para criminalizar essa prática vem de um conceito cristão que influencia um estado laico, ou seja, algo totalmente inconstitucional.Valores religiosos não podem intervir na decisão do estado e nem da decisão particular da mulher ao não ser que ela opte por isso. A maternidade é uma escolha e não uma imposição.
É importante lembrar que em agosto deste ano a presidenta Dilma sancionou a PCL 03/2013, que regulamenta atendimento imediato no SUS para mulheres vítimas de estupro, amparo médico e psicológico, registro de ocorrência imediato, encaminhamento para exame e perícia, profilaxia da gravidez e de DSTs.
Apesar desta lei, o Brasil ainda continua bastante atrasado nesse debate, tendo até um retrocesso com o “Estatuto do Nascituro” que também está sendo debatido no parlamento. E o aborto tendo uma discussão quase nula pelo Estado.
Atualmente em média 250 mil mulheres morrem vítima de aborto mal sucedidos. Até quando a sociedade e o poder público vão fechar os olhos para esse debate?
“Criminalizar o aborto. Essa hipocrisia causa hemorragia!”

Karla Ramalho - Militante do Partido dos Trabalhadores, da Marcha Mundial das Mulheres e dos Radicais  Livres de São Sebastião - DF!


domingo, 23 de junho de 2013

Não ao Estatuto do Nascituro!

Mais uma vez a bancada fundamentalista, intitulada “Pró vida”, tenta passar por cima da Constituição, ignorando a laicidade do Estado. No dia 05 de junho foi aprovado na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara Federal o Projeto de Lei nº 478/2007 (PL 478), que está sendo chamado por nós, feministas, de “Bolsa Estupro”. Os parlamentares petistas votaram contra. Este PL coloca o feto como ser de direito, retroagindo assim, direitos já garantidos pelo art. 128do Código Penal que são nos casos de estupro, risco de morte a mulher e o recém conquistado e reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, que são nos casos de gestação de anecéfalo.
Segundo o PL,a mulher que for vítima de estupro e engravidar não poderá abortar e se não tiver condições, receberá uma ajuda financeira do Estado (por isso Bolsa Estupro) até a/o filha(o) completar dezoito anos.Caso o autor do estupro for encontrado, terá que registrar a criança e pagar pensão.Ou seja, o Estado quer obrigar a mulher a levar adiante uma gravidez traumática e ainda fazer com o que ela conviva com o indivíduo que a violentou.
Esta proposta coloca o aborto na lista de crimes hediondos, lado a lado com o estupro que também é considerado um crime hediondo. É um absurdo! A sociedade patriarcal e heteronormativa vem interferir mais vez na autonomia da mulher sobre o seu corpo,impedindo-a de tomar suas próprias decisões e ainda a criminaliza por decidir não levar adiante o fruto de uma violência, que por si só é bastante traumático.
Lembrando que o aborto tornou-se algo totalmente ligado a desigualdade social entre as mulheres. Porque uma mulher de classe média alta quando decide abortar, procura uma clinica que mesmo clandestina tem todos os equipamentos seguros para tal procedimento. Já uma mulher de classe social baixa realiza esse procedimento em condições precárias,colocando sua vida em risco.Mas também há outro fator muito interessante a ser debatido sobre a questão do aborto, pois segundo o site do Jornal Tabaréo o aborto é bastante comum em mulheres estabilizadas, como aponta pesquisa do SUS:

       Um mapeamento dessas pesquisas nos últimos 20 anos, realizado pelo Ministério da Saúde, revela que as mulheres que recorrem à prática têm, em sua maioria, entre 20 e 29 anos e se encontram em união estável. Grande parte delas têm até oito anos de estudo e são trabalhadoras, católicas, com pelo menos um filho e usuárias de métodos contraceptivos. Contudo, essas pesquisas não abrangem a diversidade de mulheres que optam por interromper a gravidez, uma vez que se baseiam em prontuários e relatórios médicos coletados em hospitais da rede pública de saúde. A estimativa é de que as pacientes que recorrem ao SUS correspondam a apenas 20% de todas que fazem aborto no país.

             É preciso parar de esconder este assunto.É preciso voltar à tona este debate, pois é algo bem mais comum do que esta sociedade conservadora pensa e “esconde”.Os fundamentalistas preferem criminalizar a mulher que foi violentada do que elaborar políticas públicas que garantem mais segurança, e  punições  aos agressores.
           Segundo pesquisa do portal DESACATO, o numero de estupro tem crescido a cada ano e que o Brasil encontra-se no sétimo lugar em casos de violência contra a mulher. “(...) tem um estupro a cada 10 minutos. Isso significa 144 estupros diários, vezes 365 dão 52.560 estupros por ano...”
            Nesta quarta-feira, 19 de junho, foi nomeada a nova bancada feminista na Câmara Federal para votar contra o Estatuto do Nascituro, caso venha a ser votado em Plenário e articular para que o referido não avance neste sentido, assim como os movimentos feministas de todo o Brasil estão articulando na sociedade e nos espaços de discussões o não avanço do PL 478 no Congresso Nacional. A proposta que será votada na Comissão de Constituição e Justiça - CCJ e poderá ser aprovada na referida.
            Vamos todas (e todos) nos mobilizarmos para que este PL não seja aprovado, garantindo assim, a autonomia da mulher sobre o seu corpo e sua vida. Até quando os homens falarão e decidirão por nós?
NÃO AO ESTATUTO DO NASCITURO, ESTA LUTA É DE TODAS/OS NÓS!

Karla Ramalho
Karla é professora, militante do Partidos dos Trabalhadores e da Marcha Mundial das Mulheres.

Mais informações:
Expressão feminista
Marcha das Vadias
Marcha Mundial das Mulheres
marchamulheres.wordpress.com/

Fontes pesquisadas:

DENUNCIE!
            Delegacia Especial de Atendimento à Mulher
            Endereço: EQS, 204/205, Asa Sul
            Tel.: (61) 3442-4300

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segunda-feira, 18 de março de 2013

Verdadeira história do 8 de março!


MATÉRIA EXCELENTE!
Mulheres, estas bruxas revolucionárias – Sobre o 8 de março! 

Desenho do Latuff

Dia 8 de março é dia internacional da mulher. O império inventou uma história em meados do século 20 e espalhou pela face da terra: O dia 8 de março fora escolhido por eles, por que neste dia, em 1875, centenas de mulheres “coitadinhas” teriam sido queimadas vivas por um empresário malvado que provavelmente não aplicava bem as regras do capitalismo. Pois hoje através de pesquisadores, sabemos que esta história é uma fraude. O dia 8 de março de 1875 caiu num domingo, e embora as mulheres (e homens) trabalhassem 14 horas por dia, sem as mínimas condições de segurança e saúde, inclusive nos sábados, os bons capitalistas americanos eram todos cristãos e o domingo era dia sagrado de descanso. Uma fraude pra tentar esconder a capacidade revolucionária da mulher. Mais uma. Na Idade média elas eram as bruxas que aterrorizavam os homens com suas idéias revolucionárias e eram queimadas nas fogueiras. De bruxas malvadas a coitadinhas. Não mesmo. A história verdadeira é outra. E está assim, bem resumida, na Wikipédia: Na Rússia, as mulheres foram o estopim da Revolução russa de 1917. Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro pelocalendário juliano), a greve das operárias da indústria têxtilcontra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na Primeira Guerra Mundial precipitou os acontecimentos que resultaram na Revolução de Fevereiro. Leon Trotsky assim registrou o evento: “Em 23 de fevereiro (8 de março no calendário gregoriano) estavam planejadas ações revolucionárias. Pela manhã, a despeito das diretivas, as operárias têxteis deixaram o trabalho de várias fábricas e enviaram delegadas para solicitarem sustentação da greve. Todas saíram às ruas e a greve foi de massas. Mas não imaginávamos que este ‘dia das mulheres’ viria a inaugurar a revolução”.
Verdade seja dita: foram as mulheres que iniciaram a maior revolução do século 20. E o que elas pediam “Pão e Paz”. Queriam os soldados russos de volta, por que eram seus filhos e maridos que morriam como bucha de canhão nos fronts de batalha. Queriam uma vida digna. Como querem até hoje as mulheres revolucionárias que na idade média eram chamadas de bruxas e queimadas nas fogueiras, e hoje tem sua história mal versada pelos capitalistas que insistem em rebaixar o papel da mulher e as próprias mulheres a um papel secundário. Recebem menores salários que os homens embora já sejam maioria como chefes de família. O capital as explora e muitas ainda são vítimas da dupla jornada e de violência doméstica. É tempo de reescrever a história. É tempo de abrir os olhos da humanidade para o que Marx disse no século 19: “A exploração do homem pelo homem só terminará quando o homem deixar de explorar a mulher”. Este parece ser o tempo das mulheres: Aqui no Brasil a Presidenta Dilma é símbolo desta evolução. Que este avanço seja o começo da revolução definitiva, que acabe com a exploração da mulher pelo homem, para que possamos acabar definitivamente com a exploração do homem pelo homem e salvar a humanidade das agruras do sistema capitalista que, vira e mexe, está em crise, e cada uma das crises são os trabalhadores e trabalhadoras que tem seus direitos atacados.
VIDA LONGA A LUTA DAS MULHERES POR DIGNIDADE PARA TODA A HUMANIDADE! QUE O DIA 8 DE MARÇO NÃO SEJA MAIS UM DIA DE DITRIBUIR ROSAS E MENSAGENS. É PRECISO QUE A REVOLUÇÃO CONTINUE, POR QUE MULHERES E HOMENS AINDA SÃO VÍTIMAS DA EXPLORAÇÃO NO MUNDO TODO. E ENQUANTO HOUVER UMA MULHER EXPLORADA POR UM HOMEM OU UM HOMEM SENDO EXPLORADO POR UM HOMEM, NÃO TEREMOS A PAZ NECESSÁRIA PARA QUE O PÃO CHEGUE A TODAS E TODOS.

Luiz Müller

quarta-feira, 13 de março de 2013

UNIÃO EM PROL DA FACULDADE DULCINA DE MORAES!



No dia 11 de março aconteceu na Faculdade Dulcina de Moraes, um ato organizado pelos alunos, ex-alunos e professores, com o objetivo de salvar a faculdade que por conta de dívidas acumuladas durante anos, está prestes a fechar as portas. Há um ano e meio não tem vestibular e atualmente conta com apenas 200 alunos, além do prédio está bastante sucateado e haver pouco funcionários.
No ato também esteve presente o Deputado Cláudio Abrantes(PT), a Deputada Érika Kokay(PT) e a Assessora do Senador Rodrigo Rolemberg(PSB), dando total apoio ao movimento e se propondo a contribuir com a causa.A melhor solução seria o GDF assumir a dívida e distritalizar  a faculdade, tornando-a pública.
É preciso lutar para que esse importante espaço não feche as portas, pois  grande parte dos professores de artes da rede pública do Distrito Federal são formados na Faculdade Dulcina, além do mais,  é  fundamental manter viva a memória da grande atriz Dulcina de Moraes que foi tão importante para a história do teatro do Brasil e de Brasília. Dulcina fundou o teatro em 1980 e logo em seguida, em 1981 fundou a faculdade e que hoje faz parte da história das artes plásticas e cênicas da Capital.

terça-feira, 12 de março de 2013

RADICAIS LIVRES!10 anos de luta e resistência!



Os Radicais Livres S/A apresentam: Sarau Radical – Edição especial, 10 anos de Resistência Cultural.
Não são 10 horas, 10 dias ou 10 meses... São 10 anos de muita luta e poesia nas ruas do DF e na periferia. Levando arte aos “sem voz”, abrindo microfones aos “sem luz”! Com orgulho desta trajetória de vitórias, luta e tendo sempre a “arte como caminho”.
A Associação Sociocultural Radicais Livres tem a honra de apresentar a tod@s,  mais uma grande celebração do grupo, que a cada dia vem buscando  ser referência para os periféricos, na construção de um mundo melhor possível, um mundo mais justo construído pela arte, educação e cidadania.
Para essa celebração, estamos promovendo no próximo dia 24 de março de 2013, no Aquário Bar, em São Sebastião, a partir das 14 horas, a realização de mais um SARAU RADICAL, um sarau em meio a mais de 300 realizados, durantes esses 10 anos. Envolvendo mais uma vez inúmeros artistas de diferentes segmentos para um dia especial. Com shows musicais e poéticos, como: Cineclube Radical, circo, mostra coletiva Radical Livre, intervenções de poesia multimídia, a inusitada Feira do Troca e muita festa.
 O evento é gratuito e  como sempre, mantendo o espírito de levar arte e diversidade a quem não conhece, fomentando o respeito a diferença, misturando profissionais e amadores no mesmo palco, valorizando a produção de arte periférica.
Traga sua arte para cá também, venha celebrar com a gente a revolução permitida aos que vivem entre a incoerência e a loucura e não abandonam as utopias pelo primeiro cargo comissionado que lhe aparece. Viva a alegria de construir uma nova história das favelas do Brasil, no coração do Brasil.
Esperamos você, por diversão, luta, engenho e arte.
Os Radicais Livres S/A!

Texto de:Vinícius Borba

domingo, 10 de março de 2013

Desabafo de domingo!



Domingo é o dia da depressão
Ocasionada pela ressaca
Pelas besteiras feitas no dia anterior
Do sexo sem amor
Do excesso sem pudor.
Domingo é o dia da infelicidade
É a preparação pra normalidade
Da semana rotineira e obrigatório.
Domingo é um dia sem hora
 De B.B King na vitrola
Dia de  conta-gotas
De um remédio pra dor de cabeça.
Da escassez de erva
Das besteiras que não consertam
Do sono que nunca cessa.
Domingo é dia de voltar a ler aquele livro
Encostado na cabeceira
De passar o dia de meia.
Enfim, domingo é um dia triste
Pra lembrar que a infelicidade existe
E que vem te visitar logo no primeiro dia
Só pra gente não se iludir tanto
Com esta vidinha medíocre.

Karla Ramalho

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Somos!




     Somos chamadas de chatas por conta do nosso feminismo. De putas, porque querermos a nossa liberdade. A verdade é que carregamos o fardo da sociedade e muitos acham exagero, mas, realmente, é difícil ser mulher. Queimamos nosso sutiã um dia... Mas será preciso queimar a lingerie inteira? A sociedade moderna é atrasada nos seus princípios.
     Somos emocionais sim, pois acreditamos que o amor é a força pra mudar o mundo. Acreditamos nos nossos filhos. Por isso, em sua maioria somos nós que cuidamos da sua educação, preocupadas com o dever de casa, com o desempenho e comportamento escolar.
    Não desistimos de quem amamos, mesmo que muitas vezes eles nos decepcionem. Por isso, é comum ver nas filas dos presídios, milhões de mulheres indo visitar seus maridos, filhos, irmãos...
     Somos aquela mulher sertaneja, que diariamente tenta buscar alimento para seus filhos.                 Somos aquela mulher chefe da empresa, que tem que trabalhar dobrado pra provar realmente que é competente. Somos aquela mulher que já está tão presente no mercado de trabalho, mas que ainda tem uma jornada dupla, pois precisa cuidar dos seus filhos e da casa. Somos aquela mulher preocupada com seu companheiro, que nunca o abandona no momento de dificuldade. Somos aquela mulher professora, que ainda sonha e acredita na educação e em um mundo melhor.
     Somos aquela mulher debaixo da burca, que tem nos seus olhos a janela para o mundo, por isso ver sempre adiante. Somos aquela mulher "Mãe" de terreiro, que com fé traz conforto para tantos aflitos. Somos aquela mulher que ainda sofre assédio moral e sexual em diversos espaços.         Somos aquela mulher militante, que junto com outras estão na luta pela nossa emancipação.
   Somos aquela mulher sem terra, que na luta do seu movimento enfrenta essa sociedade capitalista e excludente. Somos aquela mulher que cria forças pra denunciar o marido, depois de anos de agressão.
       Nossas angústias e desejos são os mesmos. Somos donas do nosso destino, dos nossos sonhos e apenas queremos ser nós mesmas.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Nossa canção vai ecoar!




Deita-se comigo

Temos tanta intimidade

Eu tenho certeza do que sinto

Você diz que é verdade



Me dá um belo sorriso

Um beijo

Um afago

Mas de repente tudo muda

Seu beijo fica gelado

E meu sorriso vira soluço.



Quando o afago transforma-se em tapa

O amor vira ilusão

Minha voz é calada

Pela força da sua mão.





A  lagrima é meu grito de socorro

Mas você já me matou aos poucos

Cortando lentamente

Cada pedaço do meu coração





 Em quatro paredes

Vejo o meu amor virá castigo

O “eu te amo”

Transforma-se em gritos

E o sentimento em humilhação




 Não segura minha mão como antes

Agora é um aperto doloroso

E minha vida transforma-se em sufoco

Com minha auto-estima morrendo aos poucos




Quem apanha é quem não presta

Será Que sou tão ruim assim?

 Eu só queria ser feliz

Mas a felicidade não foi dada a mim.
 



E no exemplo de tantas “Marias da Penha”

Que conseguiram se libertar

Eu encontro uma luz

Tenho forças pra lutar



Somos nós que geramos vida

Nossa importância não pode ser esquecida

Pois carregamos nos ombros

O fardo da sociedade

 Mesmo assim

Tiram-nos a nossa dignidade

Tomam a nossa liberdade





Não irão calar nossa voz

Nossos gritos se espalharão

Mas eles serão doces

Como uma bela canção



Mas será uma canção de protesto

Que em todo canto vai ecoar

Porque juntas somos fortes

Nunca vamos nos calar!



Karla Ramalho