sexta-feira, 16 de outubro de 2015

PROUNI: ENTRE CRÍTICAS E DESAFIOS. UMA POLÍTICA PÚBLICA QUE DEU CERTO.

                O Programa Universidade para Todos (PROUNI), completou 10 anos em 2015. Criado pelo governo Lula em seu primeiro mandado, o programa foi alvo de críticas, mas se consolidou e hoje é preciso  considerá-lo como  uma política pública que deu certo. Os principais argumentos eram que o governo estava dando subsídios às faculdades particulares, deixando de investir em universidades públicas. No entanto, é preciso analisar o contexto da época, antes de fazer críticas sem embasamento.
Quando Lula assumiu a presidência, o número de universidades públicas era bem menor em relação aos dias atuais. No governo Fernando Henrique Cardoso, o investimento em  universidades foi nitidamente inferior, comparado ao número de universidades construídas no governo Lula e Dilma. No governo petista foram construídas 18 universidades e muito mais investimento em extensão universitária, enquanto no governo FHC, nenhuma universidade federal foi construída.
           As críticas negativas feitas ao ProUni,  foram superadas com resultados positivos para o Brasil, pois atualmente, o número de jovens no ensino superior é muito maior do que há dez anos atrás. Segundo o Censo, em 2013 houve em média 7,3 milhões de matrículas no ensino superior. Importante ressaltar que 55, 5% das matrículas foram feitas por mulheres.  Outro fator importante de ressaltar é que na última eleição para presidente, o número de eleitores com ensino superior, foi maior que o número de eleitores analfabetos.
O ProUni também inovou por utilizar como critério de avaliação o ENEM(Exame Nacional do Ensino Médio) que antes servia só para avaliação da qualidade do ensino médio no Brasil e na época,  encontrava-se defasado e ao longo do tempo, dentre falhas e contradições, o Enem sofreu adaptações e hoje é um dos principais meios de acesso ao ensino superior, não só particular, mas também, público. Adotado como sistema de entrada no ensino superior em diversas universidades públicas, inclusive a Universidade de Brasília(UnB).
É preciso ter consciência de que toda política pública assim que implementada, sofre críticas que devem ser levadas em conta para que a mesma sofra adaptações de acordo com o contexto e mudanças sociais. Com o ProUni não foi diferente. Ela foi uma política pública  bastante criticada e hoje, encontra-se consolidada. É preciso ter consciência que todo investimento em educação, principalmente em educação publica, não são imediatos e em sua maioria, demoram anos para se ter os resultados positivos(ou não) dos investimentos.
Nos dias de hoje se ver o resultado dessa política pública e que gerou também as cotas sociais nas universidades, o SISU e a reformulação do FIES. Hoje  o ensino superior pode ser uma opção para o jovem de baixa renda e não  mais um sonho distante. Desta forma, se quebra a hegemonia de que só os ricos têm acesso e assim mantendo “status quo” social de opressão  e desigualdade. Nos dias atuais,  um jovem de periferia, tem a opção de fazer o ensino superior.
Explicando porque de fato o ProUni é uma ação afirmativa, é preciso analisar um jovem de periferia há dez anos atrás, onde o acesso a universidade pública era quase impossível, o Ensino Médio encontrava-se defasado(ainda precisa de muitas mudanças). Quais eram as perspectivas desse jovem que terminava o ensino médio¿ Sem acesso a universidade pública e sem condições de pagar uma faculdade particular. O que seria desse jovem¿ O ProUni foi uma política publica de ação afirmativa do governo Lula que de maneira imediata, colocou esses jovens sem perspectivas no ensino superior, por isso, foi necessário esse subsídio para as faculdades particulares e hoje se colhe o resultado disso, com jovens oriundos de periferias, conquistando melhores empregos, com qualificação e formação e o acesso a universidade pública cada vez maior, principalmente pelo Enem e pelas cotas sociais e raciais. Com certeza é uma ação afirmativa que deu e vem dando certo.


FONTE:
http://www.brasil.gov.br/educacao/2014/09/ensino-superior-registra-mais-de-7-3-milhoes-de-estudantes