domingo, 20 de fevereiro de 2011

Grande Sertão:Veredas.




Existem pessoas que choram vendo um filme bonito, quanto escutam uma música que faz lembrar de momentos marcantes, existem aquelas pessoas que choram de saudade de alguém, de algum lugar e também existem aquelas pessoas que choram lendo o final de um livro, que foi o meu caso.
Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa é considerado um clássico da literatura brasileira, confesso que é um pouco difícil de ler por conta da marcante linguagem regional que tem o livro, mas mesmo assim não deixa de ser bonito e emocionante. A maior impressão que esse livro deixou para mim foi PUREZA, ele passa a mensagem de que quando maior for à dificuldade, a situação de uma pessoa, a obrigação de valentia em um sertão que muitas vezes maltrata,  a pureza de um amor verdadeiro nunca morrerá dentro do ser humano.

Para mim o livro conta uma das histórias de amor mais bonitas da literatura brasileira, o amor mais puro que já existiu, mesmo que aparentemente proibido.
No fundo, Riobaldo sentia que havia algo de especial e diferente em Diadorim, ele achava seus braços bonitos, seus gestos cheios de leveza.O livro é cheio de mensagens lindas de amor e de coragem, vou colocar aqui algumas delas:

“Quieto, muito quieto é que a gente chama o amor, como em quieto as coisas chamam a gente...”
“Amor é a gente querendo achar o que é da gente...”
“Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso da loucura...”
“Se teme por amor, mas é que por amor também é que a coragem se faz...”


Em um combate com o inimigo do bando de Riobaldo, Diadorim mata Hermógenes, mas também acaba sendo atingido por ele, morre defendendo seu amigo, seu companheiro, seu amor, só depois da morte de Diadorim, Rioabaldo compreende o seu sentimento, compreende a intensidade desse amor que para ele parecia impossível, ele chega perto do corpo nu de Diadorim que na verdade era uma mulher e se chamava Deodorina,, olhando a sua verdadeira face, Riobaldo não sabia como chamá-la,então diz: “Meu amor!”

“Ela tinha amor em mim.
E aquela era a hora do mais tarde.O céu vem abaixando.
Narrei ao senhor. No que narrei, o senhor talvez até ache mais do que eu, a minha verdade. Fim que foi.
Aqui a estória se acabou.
Aqui, a estória acabada.
Aqui a estória acaba.”

Para mim, o fim dessa história foi uma lágrima caindo no canto do meu olho, um suspiro e um abajur para desligar.
          João Guimarães Rosa é mesmo um gênio!

Karla Ramalho

Quando você foi embora fez-se noite em meu viver
Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar...(Travessia - Milton Nascimento)

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